Dia de campo sobre uva orgânica reúne agricultores em Porto União

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O cultivo protegido de uva orgânica foi tema de um dia de campo que a Epagri realizou no dia 8 de fevereiro em Porto União. O objetivo do encontro foi mostrar aos agricultores esse modelo de produção, os cultivares que podem ser usados para uva de mesa e para suco, além de novidades em relação à rastreabilidade. Mais de 40 pessoas participaram do evento, que foi realizado na propriedade de Alcir e Eliane Freisleben. A atividade foi realizada em parceria com a Cidasc, a Embrapa, Associação de Produtores Ecológicos de Porto União (Afruta) e a Cooperativa Comsol.

O grupo foi orientado sobre as novas normas de rastreabilidade de frutas e hortaliças para Santa Catarina. Os engenheiros-agrônomos da Cidasc Alexandre Mees e Martiza Martins apresentaram o sistema e-Origem, explicaram como deve ser feito o cadastro das áreas produtivas de frutas e hortaliças, o uso do caderno de campo e de etiquetas e códigos para a venda dos produtos.

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No parreiral coberto da família Freisleben, o agricultor Alcir e o engenheiro-agrônomo Nelson Feldberg, da Embrapa de Canoinhas, mostraram os cultivares de uva que estão em produção nesse sistema. Eles comentaram sobre comportamento das plantas, saúde, produção e finalidade dos seguintes cultivares: Violeta, Bordô, Vênus, Isabel Precoce, Niágara Rosada, Niágara Branca, Carmem, Poloski, Magna, Moscato Bailey, Isabel Normal e Cora.

O engenheiro-agrônomo Guilherme Gonçalves, extensionista da Epagri de Porto União, expôs os dados técnicos e econômicos que vêm sendo coletados na área desde 2014. “Os participantes tiveram uma visão das perspectivas e dos desafios desse tipo de cultivo de uva que, embora exija investimento maior, oferece maior segurança na produção e melhor preço de venda”, comenta.

Fonte: Paulo Sérgio Tagliari – DECONOR

 

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Produtos que utilizarem espécies nativas brasileiras receberão selo de origem

Novo Selo de Sociobiodiversidade, do SIPAF, foi lançado nesta quinta-feira (8) por meio de portaria do SEAD. Criação da nova medida busca estimular aumento da biodiversidade nativa na agricultura nacional e beneficiar produtores que cultivem espécies nativas de sua região

Março de 2018 – Produtos que tenham em sua composição espécies nativas brasileiras poderão receber o Selo de Sociobiodiversidade vinculado ao SIPAF (Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar). A nova modalidade de identificação faz parte da Portaria 129 da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD), publicada na quinta-feira (8) pelo Diário Oficial da União e que irá beneficiar, principalmente, pequenos produtores que cultivem espécies nativas de sua região.

A medida é um complemento à Portaria Interministerial 163/2016, e permitirá que portadores do selo participem dos diversos programas de incentivo do Estado que integram o Plano Nacional de Agroecologia: o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio) e o Programa Nacional para Alimentação Escolar (PNAE).

Espécies brasileiras são mais saudáveis

A criação da nova portaria teve a colaboração do projeto internacional Biodiversity for Food and Nutrition (BFN), responsável pela catalogação das 70 espécies de frutas e hortaliças (verduras e legumes) contempladas pelo novo Selo de Sociobiodiversidade (ver aqui). Essas espécies, ricas em nutrientes saudáveis e importantes para o equilíbrio ecológico, foram priorizadas com base em três critérios: valor alimentício regional, potencial econômico e importância social.

“É um passo importante para estimular o crescimento da produção e do consumo dos nossos alimentos nativos. O Brasil possui um universo de mais de 2.500 frutos, mas apenas dois deles – abacaxi e açaí – estão entre os dez mais consumidos nacionalmente. Temos uma flora riquíssima em composição nutricional, que, no entanto, é mal aproveitada devido a políticas que favorecem a monocultura”, comenta a coordenadora do BFN Brasil, Daniela Beltrame.

“Acontece que muitos nutrientes necessários para a nossa saúde estão presentes em quantidades exorbitantemente maiores em frutos nativos”, acrescenta. “Um exemplo é o buriti, que possui quase o dobro de vitamina A de uma cenoura; ou o camu camu, com 16 vezes mais vitamina C que uma tangerina. Esses produtos podem estar mais presentes em nossas mesas, quando houver maior oferta no mercado e maior conscientização geral sobre a sua importância”, completa Daniela.

O projeto BFN Brasil conta com o apoio de diversos órgãos e organizações nacionais e internacionais – entre eles, o Governo Federal, a ONU Meio Ambientea Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a EMBRAPA – e teve a participação de mais de 100 pesquisadores de universidades federais (UFRGS, UNIFESP, UFG, UFC e UFPA), estaduais (UECE e USP), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Além do Brasil, também fazem parte do BFN o Quênia, o Sri Lanka e a Turquia.

Fonte: BFN – Biodiversity for Food and Nutrition

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Decisão do STF sobre Código Florestal encoraja retrocesso ambiental

Julgamento histórico pode iniciar jurisprudência que torna legislação ambiental inócua face aos interesse econômicos

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MAURÍCIO TUFFANI,
Editor

Ao considerar constitucional grande parte da lei que em 2012 alterou o Código Florestal, o Supremo Tribunal Federal foi muito além de garantir uma vitória aos setores mais retrógrados do agronegócio brasileiro. Longe de estabelecer um equilíbrio sustentável entre as reivindicações de ambientalistas e cientistas, com foco na conservação, e os interesses ruralistas, voltados à segurança jurídica, a decisão do STF sinalizou a disposição da Corte para avalizar novas investidas contrárias à legislação ambiental brasileira construída nas últimas décadas.

E não é só isso. Além de encorajar uma escalada do contra-ataque antiambientalista – principalmente por meio da bancada parlamentar ruralista que deu suporte aos governos de Lula e Dilma Roussef (PT) e depois transformou o vice Michel Temer (MDB) em presidente e o vem protegendo da Justiça –, a decisão do STF pode dar início a uma nova jurisprudência. Pode ser o começo de um retrocesso na interpretação de toda a legislação ambiental. Especialmente com base no voto do ministro Celso de Mello, o último a se manifestar no julgamento das ações sobre a lei 12.651, de 2012, encerrado ontem (quarta-feira, 28/fev).

Para isso, em seu voto proferido ontem, o decano do STF não contestou a legislação ambiental brasileira, que, na verdade, foi até assimilada, engolida e regurgitada numa articulação retórica que a dissimulou e a mostrou inócua no que se refere ao limiar entre a conservação ambiental e o crescimento econômico.

 

Script ambientalista

Muitos ambientalistas estavam ontem animados ao acompanhar as considerações preliminares do ministro ao apresentar seu voto. O decano da Suprema Corte se pronunciou como um ardoroso defensor dos princípios da vedação do retrocesso ambiental e da precaução. Citou efusivamente renomados juristas do direito ambiental, como Antonio Herman Benjamin e Paulo Affonso Leme Machado, cumprindo todo o script de quem estaria prestes a votar em consonância com as expectativas ambientalistas.

Celso de Mello afirmou enfaticamente que “o direito de propriedade e o desenvolvimento não prevalecem sobre o direito à qualidade da vida assegurada pelo meio ambiente”. Caracterizou os direitos ambientais entre os preceitos constitucionais de maior precedência hierárquica. E por várias vezes reiterou a necessidade de condicionar rigorosamente a interpretação das leis ao preceito constitucional do direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado que deve ser defendido e preservado pelo poder público para as gerações presentes e futuras (CF, art. 225).

Durante essa longa exegese, da qual não escaparam nem os fundamentos das conferências das Nações Unidas de 1972, em Estocolmo, e de 1992, no Rio de Janeiro, algumas pessoas que acompanham Direto da Ciência enviaram para mim mensagens animadas. A todas elas eu respondi com algo do tipo “Os fundamentos apresentados prometem, mas aonde tudo isso vai dar pode ser outra história”.

 

‘Certa margem de discricionariedade’

Dito e feito. No final de sua longa explanação, quando só faltava citar a famosa frase da carta do cacique Seattle, enviada em 1854 ao presidente Franklin Pierce, dos EUA – “A terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra” –, Celso de Mello tirou de sua cartola um pequeno porém. Para o decano do STF, toda a fundamentação jurídica por ele exibida

não pode engessar a ação legislativa e administrativa, sendo forçoso admitir certa margem de discricionariedade às autoridades públicas em matéria ambiental.

Assim que foi mencionada, essa ressalva parecia que ia ser então devidamente fundamentada, com o mesmo rigor explanatório exibido pelo ministro até então.  Só que não. Na verdade, essa objeção havia sido apresentada nesses mesmos termos pela ministra Carmen Lúcia, presidente do STF, em seu voto na semana passada, e, com outras palavras, pelo relator Luiz Fux, no início do julgamento, em novembro.

Após uma extensa digressão sobre a importância, a validade e a preponderância de preceitos ambientais, acabou, em hermenêutica de proporcionalidade inversa – limitada à página 32 do voto de Celso de Mello –, adquirindo status de cláusula pétrea uma espécie de “princípio da permissão do engessamento”.

Bastou apelar para esse argumento – de natureza metafísica, pelo que parece – para rapidamente o ministro considerar constitucionais normas como a que desobriga proprietários rurais a recuperar vegetação suprimida sem autorização antes da data de referência de 22 de julho de 2008 (artigo 7º, § 3º), ou aquela que permite o cômputo das áreas de preservação permanente (APP) no cálculo do percentual da reserva legal (art. 15). Sem falar na definição de APPs de margens de rios tendo como referência o “leito regular” (art. 4º, I) – e não o leito maior alcançado na cheia –, o que acarreta uma enorme redução não só da faixa de proteção de matas ciliares, mas também da obrigação de recuperá-las.

 

Ciência ignorada

Não adianta concentrar a crítica no ministro do STF ao qual coube o desempate. A atuação reacionária majoritária da Suprema Corte brasileira foi pautada em grande parte pelo relator Fux em seu voto sobre as quatro ações diretas de inconstitucionalidade – três ajuizadas pela Procuradoria Geral da República (49014902 e 4903) e uma (4937), pelo PSOL – e da ação direta de constitucionalidade (ADC 42) ajuizada pelo PP. (Confira o quadro completo do julgamento para cada um dos 22 dispositivos contestados.)*

Em seu relato preliminar no início do julgamento, em novembro do ano passado, Fux descreveu a disputa judicial sobre o chamado “Novo Código Florestal” como uma oposição entre os que desejam a proteção estrita do meio ambiente e aqueles que também querem essa proteção e também “querem o desenvolvimento”. Em outras palavras, na visão do relator, os contestadores dessa lei não se preocupam com o desenvolvimento, mas seus defensores querem a proteção ambiental.

No final das contas, foram praticamente ignoradas as conclusões de cerca de 300 estudos contrários à nova lei, que foram sistematizadas antes de sua aprovação no relatório interdisciplinar “O Código Florestal e a ciência: contribuições para o diálogo”, elaborado com a participação de 27 pesquisadores com o suporte institucional da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Apesar de todos esses alertas, a atuação do Congresso Nacional e do governo Dilma continuou se pautando pela aprovação da lei, o que acabou estimulando novos desmatamentos, como muitas pesquisas científicas já demonstraram.

Agora está sendo a vez do governo Temer, estimulando iniciativas contra as leis do licenciamento ambiental, e foi a vez do STF, não só sinalizando sua tolerância ao retrocesso ambiental, mas também, com sua nova jurisprudência, encorajando as investidas nessa direção.

Fonte: http://www.diretodaciencia.com

* Acréscimo em 3/mar/2018. Quadro elaborado por Naiara Bittencourt, Larissa Packer, Alessandra Jacobovski e Thales Mendonça para Terra de Direitos.

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IV ENA – Encontro Nacional de Agroecologia

Maria Emília Pacheco e Paulo Petersen falam sobre a preparação para o IV ENA.

Assista o vídeo AQUI

Fonte: Articulação Nacional de Agroecologia

 

 

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Seminário internacional contra os agrotóxicos acontece em Curitiba

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Acontecerá, em Curitiba, um grande evento que reunirá especialistas de todo o país para discutir como combater e evitar os agrotóxicos! O evento será dividido em dois seminários: II Seminário Internacional: Fortalecimento da Agroecologia, Consequências dos Agrotóxicos à Saúde Humana e a Natureza e o IV Seminário: Sistemas de Produção Tradicionais e Agroecológicos de Erva-mate.

Os seminários contarão com debates, palestras e muito conhecimento sobre:

  • Os efeitos dos agrotóxicos na saúde
  • Os impactos dos transgênicos
  • Contaminação de agrotóxicos na água
  • Meio Ambiente
  • Segurança alimentar
  • Agroecologia e outros sistemas de produção sem agrotóxicos
  • A erva-mate no Paraná e Santa Catarina como alternativa ao plantio de tabaco
  • Como funciona a regulação judicial de agrotóxicos no Brasil

Mais informações: https://www.vivasemveneno.com.br/noticia/seminario-internacional-contra-os-agrotoxicos-acontece-em-curitiba

Fonte: www.vivasemveneno.com.br

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Encontro de Temer e CEO da Nestlé revela interesses na privatização da água no Brasil

Rejeição da população brasileira à privatização da água parece ter influído em tornar o encontro mais discreto.

Foi com o apoio de grande parte da elite internacional que se encontra em Davos que foi possível Temer realizar no Brasil o golpe. – Créditos: Agência Brasil
Foi com o apoio de grande parte da elite internacional que se encontra em Davos que foi possível Temer realizar no Brasil o golpe. / Agência Brasil
No Fórum Econômico Mundial uma nova elite burguesa, não mais apenas europeia, mas agora mundial, se reúne em Davos para celebrar a si mesma, suas realizações e sua visão de mundo

A pequena aldeia de Davos na Suíça, muito antes de tornar-se célebre por hospedar o Fórum Econômico Mundial, já era internacionalmente conhecida através do romance ‘A Montanha Mágica’ de Thomas Mann, publicado em 1924 e imediatamente saudado como uma das grandes obras literárias do século XX.

É em Davos, ‘A Montanha Mágica’, que Thomas Mann situa o sanatório Berghof onde, no romance, a elite da burguesia europeia do início do século XX busca a cura para suas doenças pulmonares, principalmente a tuberculose. Nesta obra complexa, Thomas Mann retrata uma burguesia adoentada que, em Davos, progressivamente perde o contato com a realidade da ‘vida na planície’, a vida real. O ‘encanto’ da vida na ‘Montanha Mágica’ é quebrado, no final do romance, pela irrupção da Primeira Guerra Mundial. Thomas Mann mostra que foram a irresponsabilidade e a alienação da burguesia da época, isolada, distante e protegida na ‘Montanha Mágica’, que causaram a guerra.

No Fórum Econômico Mundial uma nova elite burguesa, não mais apenas europeia, mas agora mundial, se reúne em Davos para celebrar a si mesma, suas realizações e sua visão de mundo. O Fórum é um outro sanatório Berghof a abrigar a elite do capitalismo internacional acometida desta doença mental chamada neoliberalismo. Exatamente como as personagens de Thomas Mann na ‘Montanha Mágica’, os participantes do Fórum Econômico Mundial também perderam todo o contato com a ‘vida na planície’, com a realidade da crescente desigualdade econômica mundial e sua consequente devastação social e ambiental. Em Davos defende-se – claro sintoma de doença mental – que cabe fundamentalmente ao mercado não somente encontrar as soluções para os diversos problemas atuais, mas organizar as bases mesmas da sociedade no século XXI, reduzindo o Estado a um papel meramente administrativo.

O Presidente Temer não poderia deixar de participar deste evento, afinal foi com o apoio de grande parte da elite internacional que se encontra anualmente em Davos que foi possível realizar no Brasil o golpe que o levou ao poder. A participação de Temer no evento oficial foi tímida, resumiu-se a uma única conferência de menos de 20 minutos em um auditório onde, devido a pouca audiência, biombos procuravam esconder as cadeiras vazias. A frase fundamental e reveladora do discurso de Temer foi:

‘Hoje, os principais atores no Brasil, políticos e econômicos, convergem em que não há alternativa à agenda de reformas que estamos promovendo’. (grifo meu)

‘Não há alternativa’ é a famosa frase dita por Margaret Thatcher ao promover a privatização de grande parte do setor público do Reino Unido, incluindo as empresas públicas de água e saneamento. Hoje, a maioria da população do Reino Unido quer a nacionalização dos serviços privatizados na era Thatcher, principalmente os de água. As parcerias público-privadas introduzidas pelo governo Thatcher se revelaram um desastre.

O que Temer chama de ‘reformas’ são o seu programa de privatizações, complementado por medidas que procuram retirar quaisquer barreiras à expansão do capital, sejam elas leis de proteção ambiental ou de direitos de trabalhadores. Como programa político estas ‘reformas’ não tem – nem poderiam ter – nenhum apoio da população e por isso devem ser apresentadas como uma inevitabilidade histórica – ‘não há alternativas’.

Com algumas décadas de atraso, a frase de Temer revela não apenas sua filiação ao neoliberalismo da era Thatcher, mas também algo ainda mais perturbador. Por ironia, o discurso de Temer foi dito no mesmo dia em que o ex-presidente Lula foi condenado por 3 votos a 0 no TRF-4. Ao afirmar que ‘os principais atores políticos e econômicos’ no Brasil convergem em que ‘não há alternativa’ , parece que Temer já sabia que o tribunal em Porto Alegre se encarregaria de acabar com a única alternativa viável para as próximas eleições. Em seu discurso Temer foi bem claro quanto a este ponto. A frase seguinte do discurso foi:

“O espaço para uma volta atrás é virtualmente inexistente.” (Grifos meus).

É preciso ler este discurso à luz desta condenação do ex-presidente Lula para compreender a amplitude do golpe e o poder REAL por trás dele. Por ser fundamentalmente antidemocrático, o neoliberalismo só pode se manter por meio de mentiras ou de violência. O Fórum Econômico Mundial faz parte de toda uma estratégia global de construção de uma realidade virtual – uma mentira – onde o neoliberalismo é apresentado como o único modelo ‘racional’ e ‘eficiente’ de organização econômica.

Mas como em todo o mundo aumentam as contradições entre as promessas neoliberais e sua realidade, a mentira neoliberal se sustenta com cada vez mais dificuldade. É neste ponto que entra a violência, física ou simbólica, como contraparte da mentira necessária à manutenção da ideologia neoliberal. O discurso de Temer em Davos exprimiu sua completa adesão aos objetivos do neoliberalismo – o que já sabemos – porém mais ainda o discurso revelou, para alívio da elite econômica em Davos, que há no Brasil poderes organizados capazes de utilizar diversas formas de violência para sustentar o seu governo e as suas propostas, eliminando a possibilidade de qualquer alternativa.

Estranhamente, o segundo evento oficial anunciado pelo Fórum em que o presidente Temer participaria – um debate público com a participação do Prefeito de São Paulo João Dória, do Presidente do Bradesco, do CEO do Itaú-Unibanco e do CEO da Nestlé Paul Bulcke – desapareceu da agenda do Fórum.

Mas em um evento fora do programa oficial, um jantar fechado para convidados onde Temer fez a abertura do painel ‘Dando Forma à Nova Narrativa Brasileira’, o CEO da Nestlé estava entre os convidados, como informou a Folha de São Paulo.

Ao que tudo indica decidiram que o presidente Temer e o CEO da Nestlé não deveriam aparecer juntos em público. Afinal, a Nestlé é bem conhecida pelo seu apoio à privatização da água e que negociações sobre este tema já existem entre a empresa e o presidente Temer é de conhecimento público. A rejeição da maioria da população brasileira à privatização da água parece ter influído em tornar mais discreto o encontro entre Temer e o CEO da Nestlé em Davos.

A agenda de Temer em Davos, porém, revela a importância do tema água: Temer teve encontros privados com o Presidente Global da Ambev, Carlos Brito e com o CEO da Coca-Cola, James Quincey. Temer também encontrou o CEO da Dow Chemical, Andrew Liveris. A água é a principal matéria prima utilizada pela Coca-Cola e pela Ambev. E ‘por coincidência’, Andrew Liveris faz parte do ‘Governing Council’ do Water Resources Group –WRG – a iniciativa da Nestlé, Coca-Cola e Pepsi para privatizar a água através de parcerias público-privadas. No site oficial do WRG, Andrew Liveris aparece ao lado do ex-CEO da Coca-Cola Muhtar Kent – outro membro do ‘Governing Council’ do WRG.(https://www.2030wrg.org/who-we-are/governance/)

Já a Diretora de Comércio e Política de Investimentos da Dow Chemical, Lisa Schroeter, aparece como membro do ‘Steering Board’ do WRG, junto com Dominic Waughray, que é membro também do Comitê Executivo do próprio Fórum Econômico Mundial.

A Ambev é parte da AB InBev, grupo que comprou a sua grande rival SABMiller por 107 bilhões de dólares numa mega fusão que concentrou ainda mais o mercado das grandes empresas engarrafadoras de água, cerveja e refrigerantes. A SABMiller é uma das empresas fundadoras do WRG…O maior acionista individual do grupo AB InBev é o brasileiro radicado na Suíça, Jorge Paulo Lemann.

O tema água parece ter sido parte da agenda do Prefeito de São Paulo João Dória em Davos. Ele não só também teve um encontro com Carlos Brito, Presidente da Ambev, mas também com a CEO da Pepsi , Indra Nooyi, que aliás também é membro do ‘Governing Council’ do WRG.

Nestlé, Coca-Cola, Pepsi, Ambev, Dow Chemical, WRG, toda esta rede de relações em torno do Fórum Econômico Mundial, revela como o big business se organiza para promover e executar sua agenda de apropriação das riquezas do planeta.

Temer e grande parte dos que vieram com ele, como a Senadora Marta Suplicy e o Deputado Beto Mansur, ficaram hospedados do hotel ‘Park Hyatt’ em Zurique. Segundo informação do hotel, a diária da suíte presidencial – que seria a escolha lógica para a hospedagem de Temer – neste período é de 5.220,00 francos suíços, cerca de R$ 17.640,00. Ou seja, o que foi provavelmente gasto em UM DIA de hotel equivale ao que um trabalhador recebendo um salário mínimo no Brasil levaria quase um ano e meio para ganhar.

Através deste simples dado entramos no mundo da ‘Montanha Mágica’. Como podemos imaginar, este tipo de viagem comporta muitos outros gastos, como segurança, diárias com pessoal militar e diplomático, aviões, aluguel de transporte terrestre local, de salas, tradução, etc. Não creio que o Palácio do Planalto tornará público o total de pessoas e de gastos envolvidos neste passeio de Temer pela Suíça.

A concentração de riqueza e de poder político nas mãos de menos de 1% da população, o grupo representado pelo Fórum Econômico Mundial, na sua busca patológica de mais e mais lucro, só pode causar mais conflitos, destruição do tecido social e do meio ambiente. Thomas Mann já havia alertado: a ‘Montanha Mágica’ termina com a Primeira Guerra Mundial. Cabe a nós mudar este final.

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2018/01/26/encontro-de-temer-e-ceo-da-nestle-revela-interesses-na-privatizacao-da-agua-no-brasil/

 

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CPOrg/SC desaprova a reaprovação do glifosato

Na data de ontem, mais uma decisão que não contribui para a evolução da humanidade.

Recebemos com profundo desagrado e incontável perda a notícia da reaprovação do glifosato na Comunidade Européia.
Entendemos que é desnecessário continuar repetidamente a desfilar a lista de malfeitos da indústria agroquímica no planeta.
E, reafirmamos nossa meta de banimento dos agrotóxicos, para permitir a entrada de mais saúde e mais qualidade de vida para os seres humanos, onde quer que nós vivamos.
Saúde humana e do planeta Terra são contrapostas com o uso de agrotóxicos e pesticidas.
Vamos atuar humanamente por uma agricultura orgânica, biodinâmica, e semelhante, a favor de mantermos nossa casa habitável.

Saiba mais: https://www.politico.eu/article/glyphosate-renewal-shakes-germany-france-italy/

 

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