Alemanha, a meca da comida orgânica

Após três anos de duras negociações, a UE chega a um acordo não isento de polêmicas sobre a nova regulação de um setor em voga no mundo inteiro.

O produtor Ludolf Van Maztlan observa seus cultivos ecológicos no estado de Brandenburgo (Alemanha). LUIS ALMODÓVAR
Qual a diferença entre um ovo orgânico e um convencional? À primeira vista, nenhuma. O que muda é o processo que se esconde nos bastidores: nada de agrotóxicos, confinamento de animais nem cultivos intensivos. “É mais sustentável”, resume Joyce Moewius, da BÖLW, organização que congrega diversas empresas do ramo na Alemanha, o principal mercado orgânico da Europa e o segundo do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A União Europeia (UE) trabalha desde 2014 numa nova normativa para regular um negócio que em 2015 cresceu acima de 7% e movimentou 75 bilhões de euros (285 bilhões de reais) no mundo todo. A falta de consenso sobre vários temas, em especial a polêmica sobre o nível de pesticidas, desencadeou uma guerra em Bruxelas e transformou a normativa numa das mais debatidas da história da Comissão de Agricultura.

Ecológico, biológico, orgânico… são todos sinônimos. A chave não está no produto final; o que certifica é o processo. “A legislação diz como é produzido, rotulado e controlado”, diz Moewius. Os agricultores orgânicos europeus são proibidos de utilizar agrotóxicos (mas é permitida uma lista fechada de substâncias contra pragas e produtos fitossanitários naturais) e de dar antibióticos aos animais, que devem receber luz natural e poder se mexer livremente pelo campo. “É garantida uma maior biodiversidade e variedade nos cultivos”, explica Anna Maria Häring, docente de políticas e mercados do setor agroalimentar na Universidade Eberswalde, na Alemanha. Além disso, “[essa modalidade] evita que os animais desenvolvam resistência a bactérias, algo que não é bom nem para a saúde deles nem para a nossa.”

Para obter a certificação ecológica, é preciso abrir mão de qualquer tipo de fertilizante durante três anos. O que muitos consumidores não sabem é que produtores recebem o selo mesmo que o produto final contenha resíduos de substâncias químicas proibidas para esse tipo de alimento. Isso desde que o nível das substâncias não supere certo limite – o mesmo permitido para a comida convencional. “O problema é que a contaminação pode chegar de qualquer lugar”, afirma Isabelle Buscke, que dirige em Bruxelas a Federação Alemã de Associações de Consumidores (VZBV, na sigla em alemão). “Se o seu vizinho é um agricultor tradicional, você não pode evitar que o vento leve os pesticidas que ele usa para os seus cultivos.”

Ludolf Von Maztlan assumiu há uma década o controle da Brodowin, uma fazenda ecológica de mais de 1.000 hectares entre Berlim e a fronteira polonesa. “É rentável, mas precisamos investir muito tempo e dinheiro”, afirma. Com 1.600 galinhas, 200 vacas e 300 cabras leiteiras, o criadouro tem uma marca própria que abastece tanto os estabelecimentos da zona como os consumidores através de sua loja on-line.

Um pequeno comércio repleto de produtos orgânicos elaborados na granja é a primeira parada obrigatória antes de chegar aos estábulos. “Nossos animais pastam no campo todo dia”, informa o produtor Von Maztlan, orgulhoso, enquanto mostra seu gado. A poucos minutos de carro dali, por uma estrada de terra, é possível ter acesso aos cultivos, rodeados pela natureza selvagem e com abundantes cebolas, batatas, diferentes tipos de couve-flor e abóboras. O agricultor explica que “um dos principais nutrientes das plantas é o nitrogênio”, elemento que é fixado graças às bactérias que vivem nas raízes das leguminosas.

A agricultura ecológica é reconhecida por uma sociedade cada vez mais preocupada com o bem-estar, a saúde e o meio-ambiente. Há lojas especializadas na Alemanha e noutros países europeus, e os alimentos biológicos inundam os supermercados de comida tradicional. Mas o preço continua sendo uma das principais barreiras ao consumo. “Os produtos orgânicos costumam ser entre 30% e 50% mais caros”, diz Von Maztlan, mas “muitos cidadãos estão dispostos a pagar por isso.” “Não é uma questão de que seja mais saudável, pois a nutrição de hoje é fantástica, tanto a orgânica como a convencional. É porque provoca menos danos à natureza.”

Enquanto Von Maztlan enumera seus motivos, Bruxelas é palco de uma guerra legislativa para definir as novas normas que definirão a produção ecológica. A Comissão Europeia lançou uma consulta pública e, em 2014, propôs regulamentar novamente o setor. Após anos de duras negociações, no início de julho passado chegou-se a um tímido acordo político entre a Comissão, o Parlamento e o Conselho, à espera da votação definitiva.

“As negociações foram difíceis desde o começo”, diz Norber Lins, eurodeputado alemão do grupo Popular. O ponto mais polêmico, segundo vários membros do Parlamento Europeu, instituição que financiou esta viagem, referia-se à sugestão da Comissão de que só os alimentos livres de pesticidas (um nível abaixo de 0,01 mg por quilo, tal como o das comidas para bebês) possam ser certificados como orgânicos.

“Estávamos de acordo com a Comissão e sugerimos que o produtor orgânico fosse indenizado em caso de contaminação involuntária,” afirma Lidia Senra, eurodeputada espanhola da Esquerda Unida Europeia. “Foi um tema de debate muito forte, com posições contrárias”, confirma.

A proposta da Comissão relativa aos pesticidas acabou não sendo incluída no texto, entre os aplausos de alguns e a decepção de outros. “A maioria disse que não queria nenhum limite novo dessas substâncias, mas que desejava […] melhorar a vigilância”, declarou, após o fim dos debates, o alemão Martin Häusling, do Partido Verde e líder da equipe negociadora do Parlamento Europeu.

Eduardo Cuoco, diretor do grupo de pressão IFOAM (Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica), considera que “o biológico nasce com um certificado de processo, não de produto”. “Nos últimos 15 dias, trabalhamos de forma muito intensa para fechar um acordo, e a maneira de solucionar o problema foi não solucioná-lo”, conclui.

Negócio de nicho

Em Berlim é fácil encontrar mercados orgânicos ao ar livre e lojas que só vendem produtos certificados. Existe até um “bio-hotel” na zona leste da cidade. O hotel Almodóvar, cujo nome homenageia o diretor espanhol, ergue-se numa esquina do bairro alternativo Friedrichshain. Mesas de madeira maciça da Índia e móveis de estilo oriental dominam a decoração de um ambiente simples, mas bem-cuidado. O cardápio do dia, escrito com giz na lousa, garante que os alimentos são 100% orgânicos. “Fomos a vários bancos para pedir empréstimo. Diziam-nos que estávamos loucos”, conta a proprietária Alexandra Müller-Benz. “Agora temos clientes do mundo todo, embora alguns façam reserva sem saber que aqui é tudo sustentável, até mesmo a tinta e o chão”, afirma.

Embora ainda sejam um negócio de nicho, os cultivos orgânicos cresceram a um ritmo de 500.000 hectares por ano na Europa na última década, segundo a Eurostat, chegando a 6,2% das terras cultiváveis em 2015. “O objetivo é alcançar 50% até 2030”, diz Cuoco, da IFOAM.

Kirsten Arp, responsável pelo setor de qualidade na BNN (associação alemã de processadores, atacadistas e varejistas orgânicos), conta que a Alemanha já tinha lojas especializadas no final dos anos setenta, quando não havia legislação europeia. Em 1991, chegou a primeira normativa da comunidade e, em 2010, foi introduzido o rótulo europeu organic leaf (folha ecológica), que certifica que o processo cumpre com os padrões. “Fomos pioneiros”, diz Arp. “Hoje, temos cerca de 2.500 lojas, e as vendas de produtos orgânicos perfazem 5% de todo o setor de alimentos.”

Graças à sua força demográfica, sua longa tradição ecologista e o apoio político ao setor, a Alemanha se tornou líder indiscutível em termos de tamanho de mercado – cresceu 10% em 2015 e movimentou 8,5 bilhões de euros (32 bilhões de reais), quase um terço de todo o mercado europeu (30 bilhões) –, mas suas condições climáticas não lhe permitem liderar os rankings de produção.

María Dolores Raigón, professora da Universidade Politécnica de Valencia e presidenta da Sociedade Espanhola de Agricultura Ecológica, explica que “existem duas Europas com diferentes objetivos: a do norte, que é consumidora, e a do sul, produtora. Mas as coisas estão mudando”. Segundo cifras do Instituto de Pesquisa sobre Agricultura Orgânica (FIBL), um dos mercados que mais cresceram em 2015 foi o espanhol, com um aumento superior a 20%.

Uma das maiores críticas à agricultura orgânica é sua menor produtividade em relação à tradicional, já que precisa de mais terras por não usar as técnicas intensivas de produção. “Mas há estudos indicando o contrário”, afirma Häring, da Universidade Eberswalde. “Precisamos apostar na pesquisa e mudar o padrão de consumo se quisermos promover esse tipo de agricultura”, sugere.

“Compro produtos biológicos a cada dois dias”, diz Daniel, um jovem designer de Hamburgo, na saída de uma loja em Berlim da Alnatura, uma das maiores redes especializadas da Alemanha. “Sinto que estamos jogando produtos químicos demais na natureza, e este é meu grãozinho de areia”, conta. “Os consumidores confiam no selo, mas nem sempre sabem o que significa ‘orgânico’”, pondera Buscke, da VZBV, “e os rótulos tampouco ajudam”.

Além do selo europeu, vários países, como a Alemanha, contam com certificações próprias, cada uma com seu rótulo. “É uma questão sobre a qual precisamos trabalhar”, diz Buscke. “O mais importante é que o consumidor saiba o que compra.”

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/24/internacional/1503591539_332082.html

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Selo de comida “natural” vira motivo de guerra nos tribunais

Para militantes de alimentos puros nos EUA, o fato de uma vaca ter ingerido ração com grãos geneticamente modificados impede que o queijo seja declarado 100% natural

Lojas de produtos naturais ou orgânicos atraem cada vez mais consumidores, tanto nos EUA como no Brasil

Mais de um ano se passou desde que o departamento federal de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, o FDA, sinalizou que faria o anúncio do que exatamente significa a palavra “natural” nos rótulos. Nada aconteceu, mas os consumidores resolveram levar a questão aos tribunais.Assine a Gazeta do povo e tenha acesso ilimitado as análises e tendências do mercado do Agronegócio.

Há processos contra a Sargento, gigante do setor lácteo, porque as vacas que produzem o suposto queijo “natural” se alimentam de ração com grãos geneticamente modificados.

Há processos contra o Walmart pela venda de croutons 100% natural que contêm mononitrato de tiamina e ácido fólico – duas vitaminas do complexo B que são fabricadas sinteticamente.

Os consumidores também processaram a marca HINT, que engarrafa água “totalmente natural” com sabor de frutas, mas que usa aditivo químico para realçar o sabor.

No Brasil, é proibido rótulo de “produto natural”

Desde janeiro, as estatísticas mostram que aumentou o ajuizamento de ações contra empresas alimentícias envolvendo produtos anunciados com o rótulo “natural” ou “100% natural” – e alguns advogados jogam a culpa disso no silêncio do FDA, órgão que equivale à Agência de Vigilância Sanitária no Brasil.

Até julho, foram cadastrados nos Estados Unidos 19 processos contra a propaganda de alimentos “naturais”, contra 27 em todo o ano passado. As ações são de consumidores individuais e de algumas ONGs que argumentam que o rótulo “natural” predispõe as pessoas a comprar um produto mais caro – seja queijo, água saborizada ou croutons – , escondendo a verdadeira forma de produção. Meia dúzia de escritórios de advocacia ajuizaram a maior parte das ações.

“É de se admirar que estejam ressuscitando este tipo de ação judicial, coisa que já vimos dois anos atrás”, diz Charles Sipos, advogado do escritório Perkins Coie, que defende indústrias alimentícias. “Os reclamantes argumentam que o FDA ainda não se manifestou a respeito, o que parece mais uma admissão do medo de que não haja qualquer posicionamento”.

Há tempos juízes, associações de defesa do consumidor e até fabricantes vêm pedindo ação governamental no debate acalorado sobre o que significa a palavra “natural” em um rótulo – assim como as palavras “integral” e “puro”, que também são alvo de ações judiciais.

Para os fabricantes, uma definição oficial esclareceria as regras do jogo, ajudando a evitar imbróglios na Justiça. Para as associações de defesa do consumidor, a questão é evitar que as pessoas desembolsem mais dinheiro sem saber o que realmente tem de natural no produto que estão comprando.

Uma pesquisa realizada no ano passado pela Consumer Reports aponta que 73% dos consumidores americanos buscam produtos com o selo “natural”. Mas muitos acreditam, erroneamente, que a mera presença da palavra indica a ausência de ingredientes sintéticos, altamente processados ou modificados geneticamente – quando na verdade o que não existe é uma regra que defina o que é ou não natural.

Extraoficialmente, o FDA entende que produtos ditos naturais não devem conter “nada artificial ou sintético (incluindo todos os corantes, independentemente da origem)”. Em 2015, depois de mais de 100 processos judiciais e vários pedidos de magistrados, o FDA concordou em fazer uma consulta popular sobre o tema. O prazo final, que era fevereiro de 2016, passou para maio do mesmo ano. Desde então, a agência permanece muda sobre que ações pretende tomar.

Debora Kotz, porta-voz do FDA, disse que o departamento está no momento “revisando as sugestões recebidas … quanto ao uso do termo natural nos rótulos alimentícios, antes de decidir os próximos passos”. Ela não especificou quando tais passos podem acontecer. O processo de baixar normas costuma ser demorado e não há qualquer indício de que isso tenha a ver com a mudança de governo).

Até que venham as regras, a indústria alimentícia enfrentará uma nova onda de processos contra os “alimentos 100% naturais”. Além da questão da regulamentação do FDA, uma recente decisão judicial, na Califórnia, facilitou o ajuizamento de ações civis públicas contra as empresas, o que pode resultar em mais litigância.

O caso contra a marca Sargento é particularmente interessante, porque não alega que o queijo “natural” contém ingredientes artificiais ou geneticamente modificados. O argumento é de que as vacas que produzem o leite utilizado pela Sargento são alimentadas com ração contendo transgênicos ou são tratadas com hormônios e antibióticos.

“Consumidores de bom senso acreditam que se uma vaca consome pasto, milho ou soja geneticamente modificados, ou se recebe BST (hormônio de crescimento) e então produz leite, a caseína não pode ser ‘natural’, e os produtos derivados, como queijo, também não são naturais”, diz trecho de um processo.

A reclamante neste caso, Brittany Stanton, é uma moradora de Seattle que costumava comprar queijo da marca Sargento. Ela é representada pelo advogado Michael Reese, que tem uma vasta ficha com reclamações contra produtos “100% naturais”, contra várias companhias.

Os advogados da Sargento rebatem, dizendo que as alegações não têm “base legal”. A empresa também sustenta que as decisões sobre o assunto devem ser tomadas pelo FDA, e por ninguém mais, tomando emprestado um refrão bastante repetido pelo outro lado nas ações civis públicas.

Artimanha jurídica?

O Instituto para Reforma da Legislação, afiliado à Câmara de Comércio dos Estados Unidos – que prega mudanças no instituto da ação civil pública – diz que tais ações não passam de artimanhas, planejadas para encher o bolso dos advogados e não render quase nada para os reclamantes.

O instituto cita o exemplo de uma proposta de acordo recente feita à rede Subway, em um longo processo que questiona o fato de os sanduíches não terem sempre 15 centímetros: seriam depositados mais US$ 500 mil para os advogados e cerca de U$ 500 para poucos reclamantes. Um juiz de Milwaukee indeferiu o acordo nesta semana e chamou o caso de uma perfeita “mamata”.

É o que acontece com a maioria das ações contra os alimentos “naturais”, argumenta a Câmara de Comércio, que vê as ações civis públicas como algo prejudicial aos consumidores, porque levam as empresas a aumentar os preços para cobrir os custos dos processos judiciais.

“Os consumidores não estão ganhando nada”, afirma Lisa Rickard, presidente do Instituto para Reforma da Legislação. “Mas os advogados saem dos tribunais com quantias enormes nos acordos. É ridículo”.

Por outro lado, até Lisa Rickard concorda que as ações civis públicas podem servir a um propósito legítimo. Como a jurista Nicole Negowetti demonstrou em artigo publicado pelo Instituto Brookings em 2014, alguns desses processos – que começam como tática de pressão dos militantes de alimentos saudáveis sobre o FDA – podem ajudar a identificar e corrigir falhas na regulamentação.

É certamente o que acontece no caso do selo “natural” nos alimentos, afirma Charles Sipos, o advogado do escritório Perkins Coie. No momento, Sipos e outros advogados que defendem a indústria esperam que o FDA termine o que começou. Até que isso aconteça, a tendência é ver “mais do mesmo tipo de briga nos tribunais”.

No Brasil, é proibido rótulo de “produto natural”

A polêmica em torno do que é um produto natural, nos Estados Unidos, foi resolvida no Brasil no início dos anos 2.000 por meio da resolução RNC 259/2002. Quer dizer, pelo menos em tese, o assunto deveria estar resolvido.

A resolução proíbe o uso das expressões “produto natural”, “puro”, “original” e outras equivalentes. Segundo a Anvisa, esses termos “não estão previstos na legislação vigente e podem induzir o consumidor a engano quanto à verdadeira natureza do produto. Denominações de qualidade podem ser utilizadas desde que estejam previstas em regulamentos técnicos específicos”.

A página na internet da Anvisa sobre perguntas e respostas sobre rotulagem esclarece, também, que o fato de não serem utilizados aditivos na formulação não dá direito ao uso de expressões “produto natural”, “sem conservantes”, “sem aditivos” e outras semelhantes. “A legislação na área de alimentos é positiva, portanto, o que não constar da legislação não tem permissão para ser utilizado em alimentos. Ademais, pode induzir o consumidor a engano quanto à verdadeira natureza do produto”. Clique AQUI para ler o esclarecimento completo da Anvisa sobre regras de rotulagem.

FONTE: http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/selo-de-comida-natural-vira-motivo-de-guerra-nos-tribunais-19fkwpfpciesk31brt6xj3vil

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ENTRE VÍNCULOS E VEÍCULOS: a representação da mulher rural a partir da apropriação das TICs

Este estudo tem como objetivo apresentar alguns apontamentos sobre o processo de representação da mulher rural na gestão da propriedade familiar a partir da convergência de políticas públicas no âmbito da extensão rural brasileira com recorte direcionado ao acesso às tecnologias da informação e comunicação (TICs). Para tanto, apresenta brevemente a trajetória das políticas públicas de assistência técnica e extensão rural, que encontra-se historicamente entrelaçada aos processos comunicativos e aos meios de comunicação, para situar o papel da mulher rural nesse contexto.

Posteriormente, propõe uma reflexão sobre as implicações das políticas de reconhecimento da agricultura familiar e de acesso às TICs como uma convergência possível para promover a participação da mulher rural. Na sequência, aborda questões de gênero a partir da realidade de mulheres agricultoras do município de São Borja, estado do Rio Grande do Sul, Brasil, atendidas pela Emater/RS –Ascar e as suas relações com esta e outras instituições por meio da apropriação das TICs em seu cotidiano. E, por fim, apresenta algumas reflexões sobre a convergência entre as políticas e, consequentemente, a inclusão dessas mulheres no contexto do desenvolvimento rural no qual estão inscritas as TICs.

Saiba mais: http://www.ppgmidiaecotidiano.uff.br/ojs/index.php/Midecot/article/viewFile/398/286

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Pesticidas: cacofonia governamental na proibição de glifosato

A menção de uma proibição “até o final do quinquênio” é considerada muito tarde pelas organizações de defesa do meio ambiente e da saúde.

LE MONDE | 26.09.2017 com 06:42 • Atualizado em 26.09.2017 com 09h36 | Por Stéphane Foucart

Os pesticidas são um motivo recorrente de cacofonia do governo. Após as declarações contraditórias no final de junho, o ministro da ecologia e solidariedade transição, Nicolas Hulot, por um lado, e o ministro da Agricultura e Alimentação, Stéphane Travert, por outro, manifestaram-se sobre a proibição planejado de inseticidas neonicotinoides, no caso o glifosato, que é uma matéria bagunçada.
Na segunda-feira, 25 de setembro, o porta-voz do governo, Christophe Castagner, causou confusão, afirmando que o famoso herbicida “e todos aqueles que, como ele e ameaçam a saúde dos franceses” será proibido na França “até o final do quinquênio”, ou seja, 2022.
Contactado pelo Le Monde, os serviços do primeiro-ministro negam e asseguram que tal calendário não existe. O anúncio, no entanto, provocou protestos das organizações agrícolas e de saúde e ambientais. A questão é ainda mais sensível, pois ultrapassa as definições na França.
O glifosato – o ingrediente ativo do Roundup e pesticida mais utilizado no mundo – atualmente está sendo estudada sua reautorização na Europa e o voto da França pode ser decisivo. O resultado da avaliação está próximo: o voto dos Estados-Membros deve acontecer necessariamente antes do final de Dezembro – data em que caduca a autorização para colocar a substância no mercado.
Especulações:
“Por enquanto, a única proposta de Bruxelas que está na mesa é a de uma nova autorização de glifosato por dez anos, e a França votará contra esta proposta”, explica Matignon. A data a ser lembrada é a proibição do glifosato a partir de 1º de janeiro de 2019 para os cidadãos, sabendo que já está proibida desde 01 de janeiro de 2017 para as comunidades. “

Saiba mais sobre http://www.lemonde.fr/planete/article/2017/09/26/pesticides-cacophonie-gouvernementale-sur-l-interdiction-du-glyphosate_5191351_3244.html#0XX5QrZOXvA3fxZL.99

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Nota a Impressa – Coordenador de Circulação de Alimentos Orgânicos da Agricultura Familiar

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VII FEIRA DE SEMENTES E MUDAS DA CHAPADA DOS VEADEIROS

Cartaz

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Milhões de libras de grãos “orgânicos” aparentemente falsos convencem a indústria de alimentos pode haver um problema

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A indústria orgânica está criando uma força-tarefa contra a fraude na sequência de um relatório do Washington Post de que milhões de quilos de soja “USDA Orgânica” e milho importados através da Turquia parecem ter sido fraudulentos.

Organizado pela Associação de Comércio Orgânico, a força-tarefa desenvolveria métodos para que as empresas assegurem que as importações de produtos orgânicos sejam efetivamente orgânicos.

“Há um forte desejo por parte da indústria de parar a incidência de fraude em orgânicos”, disse Laura Batcha, diretora da associação. “O consumidor espera que os produtos orgânicos sejam verificados de volta à fazenda. A indústria leva esse contrato com o consumidor muito a sério “.

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No mês passado, The Post informou que três enormes embarques de milho “orgânico” e soja – grandes o suficiente para constituir uma proporção significativa do suprimento norte-americano dessas commodities – atingiram os EUA

[Os rótulos diziam “orgânico”. Mas essas importações maciças de milho e soja não eram]

Documentos e entrevistas indicaram que as remessas não eram realmente orgânicas – de fato, algumas tinham sido tratadas com pesticidas em rota para os EUA. As três remessas provenientes da Turquia, um dos maiores exportadores de produtos orgânicos para os Estados Unidos, de acordo com Foreign Agricultural Estatísticas do serviço. Com a designação “USDA Organic”, o valor dos embarques aumentou em milhões de dólares.

O relatório confirmou as suspeitas de muitos agricultores dos EUA, que viram os preços cair em até um terço, já que o volume de importações de milho orgânico e soja cresceu rapidamente nos últimos anos.

Após a aparição da história, uma das maiores agências de inspeção orgânica do país, o CCOF, emitiu um aviso aos seus clientes, indicando que “não tem confiança no status orgânico dos grãos estrangeiros”. “A agência instituiu regras que exigem que as transferências de grãos orgânicos sejam rastreáveis ​​para os produtores.

Um dos exportadores turcos envolvidos nos embarques descritos pela The Post, Beyaz Agro, foi “decertificado” como uma empresa orgânica pelo USDA.

Agora vem notícias da força-tarefa. Alguns agricultores dos EUA olham com céticismo para o esforço porque, eles dizem, esperaram por dois anos a proteção de importações orgânicas baratas e fraudulentas.

John Bobbe, diretor executivo da Organic Farmers ‘Agency for Relationship Marketing, ou OFARM, uma cooperativa de agricultores, declarou que ele estava “divertido” pelo esforço da indústria. Ele observou que muitos membros da Organic Trade Association se beneficiaram dos preços mais baixos em milho orgânico e soja.

Os três embarques examinados pelo The Post representam cerca de 7% das importações anuais de milho orgânico e 4% das importações de soja orgânica.

“Continua a ser visto se esse esforço é sério ou não”, disse Bobbe. “O OTA tem sido estranhamente silencioso sobre esta questão. Parece que eles estavam olhando para o outro lado – o cenário “não vejo mal”. Mas acho que eles não podem ignorá-lo agora. Eu acho que o fogo está queimando o suficiente para que as chamas não possam ser destruídas “.

O USDA tem sido muito negligente – e lento – ao divulgar as importações fraudulentas, os agricultores orgânicos dos EUA se queixaram. Durante meses, a agência disse que vem investigando importações fraudulentas de grãos.

[Por que seu leite “orgânico” pode não ser orgânico]

Se os esforços anti-fraude não vão além de publicar um conjunto de “melhores práticas”, sugeriu Bobbe, pouco provavelmente mudará. Uma lista de práticas éticas, disse ele, não impedirá que um importador tenha a intenção de obter lucros rápidos que possam vir de revigar os grãos convencionais como “USDA Organic”.

Mas Batcha disse que a indústria está trabalhando em mais de um conjunto de melhores práticas. Também é lobby para dar ao USDA poderes de execução mais amplos na próxima conta de fazenda, disse ela. A associação também está empurrando o Congresso para novas tecnologias para rastrear produtos orgânicos todo o caminho de volta para a fazenda. Também solicitará que o Programa Orgânico Nacional do USDA envie ao Congresso um relatório anual sobre ações de execução.

“Estamos indo ao Congresso – queremos fechar as lacunas”, disse Batcha. “O trabalho da força-tarefa é importante, mas não é a única coisa que estamos fazendo”.

Fonte: https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2017/06/12/millions-of-pounds-of-apparently-fake-organic-grains-convince-the-food-industry-there-may-be-a-problem/?utm_term=.e734a5d362cc

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