Cooperativa de pequenos produtores de Poço Fundo, MG, se firma como referência em cafeicultura orgânica

O agricultor Carlos Henrique Nogueira, mineiro de Poço Fundo, gosta de conversar com seus cafeeiros. Nada a estranhar. Trata-se de hábito cultivado por muita gente amante das plantas. Dos “interlocutores”, desde sempre imóveis e silenciosos, Nogueira costuma “ouvir” pedidos eventuais de mais nutrientes e podas, entre outros cuidados. Em troca, recebe “promessas” de boa produção.

Ele também lhes conta as novidades. Foi o que fez no mês passado, quando trouxe para a lavoura a notícia de que a saca do café orgânico alcançara o preço inédito de mil reais na Coopfam – Cooperativa dos Produtores Familiares de Poço Fundo e Região Ltda. Por essa época, o arábica convencional, de bebida dura para melhor, era cotado pouco acima dos R$ 500/saca.

Na cooperativa, a escalada do orgânico teve início em meados de 2015, a partir do nível de R$ 700/saca. Uma combinação de demanda firme com a desvalorização do real guindou os preços. A procura se deve ao interesse crescente por alimentos saudáveis, uma tendência mundial bem conhecida. Mas, para deslanchar, o orgânico provavelmente também entrou no vácuo das campanhas pró cafés sustentáveis, bancadas por entidades internacionais, admite o presidente da Coopfam, Clemilson José Pereira.

O orgânico ocupa apenas um nicho no mercado mundial. Ainda assim, a oferta está longe de suprir a demanda. Inclusive a doméstica. A produção nacional se mantém ao redor de 70 mil sacas anuais há mais ou menos uma década, segundo Cássio Franco Moreira, diretor-executivo da Acob – Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil. Parte é exportada, sendo uma fração já pronta para o consumo.

O segmento é carente em matéria de estatísticas. Mesmo a Coopfam só terá um quadro atualizado do que se passa em sua área de atuação em meados do ano. Pesquisa com essa finalidade está em curso.

No momento, a entidade reúne 418 cooperados ativos, cidadãos de 15 municípios, que dispõem de 4.244 hectares, sendo 2.178 hectares de café. É sabido que pouco mais de 100 dos associados cultivam o café orgânico, em cerca de 500 hectares, informa o agrônomo Daniel Penha Silva, gerente-geral da entidade. As colheitas são modestas, de até 3 mil sacas por ano, pois a renovação dos cafezais tem sido intensa e grande parte das lavouras ainda não dá frutos.

Saiba mais: http://www.portaldbo.com.br/Agro-DBO/Noticias/Reduto-organico/19062

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